A verdade é que até agora eu realmente não entendo como isso aconteceu. Você tentava tirar de mim o que eu não sabia explicar, de todas as formas. Já não havia mais nenhuma feição em meu rosto mas os olhos permaneciam bem abertos; e foi nessa hora que uma lágrima caiu sem que eu movesse um músculo, simplesmente caiu, e deu lugar a mais outra, e outra e outra, e eu continuava não me mexendo, mesmo o carro estando em alta velocidade e você trocando de pistas a todo momento.
Naquela hora uma música do Marcelo Jeneci tocou no rádio e a palavra "Felicidade" vinha de encontro como uma bala no meu peito, não sabia explicar o que estava acontecendo. Por que cargas d'água eu não estava feliz?!
Eu só queria continuar ali, sentada e sendo levada pra algum lugar.
Até que, depois de alguns minutos, chegamos na minha casa. Era um final de tarde chuvoso e com vento frio. Você entrou, ligou a tv, comentou alguma sobre a vantagem de ter um pacote de tv por assinatura com os canais Telecine ao invés da HBO. Pra mim você podia estar dizendo qualquer coisa, eu só desejava que você não levantasse mais dali. Desejava que voltássemos no tempo, há uns 6 anos atras, onde tudo, ou quase tudo, era diferente, era mais fácil.
Foi ai então que decidi preparar um café, do jeito que a gente gosta, forte e amargo. É claro que só fiz isso para garantir que você ficasse mais tempo, mas a chuva lá fora apertava, e você precisava voltar, antes que o tempo piorasse...
Eu já previa todas essas coisas, talvez por isto não me incomodei tanto assim quando você sussurou um "tá ficando meio tarde.." Achei até que demorou demais dessa vez.
Tudo terminou com um forte - e longo- abraço e eu já começava a sentir saudades. E finalmente, como num estalo, meu coração pôde enfim se acalmar.
"Tchau, querida...até semana que vem", murmurou num tom cansado.
Tranquei a porta e voltei pro sofá. Dessa vez, passei longe do Telecine.
domingo, 11 de setembro de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Despedir-se de si, de sua falta de completude, daquele sentimento interminável de espera. A espera teve um fim, e para todo fim, um recomeço de presente. Na verdade, o fim só existe pra quem não enxerga o recomeço.
A tentativa desesperada de uma faxina mental foi menos eficaz. Menos confortável, menos inteligente. É claro que não deu certo.
Sendo assim, daqui pra frente não haverá mais faxina, vou guardar devidamente as lembranças em lugares estratégicos e não fazê-las uso novamente até que eu sinta necessidade. E pretendo não mais sentir por toda a vida. Vontade de indiferença.
Então vai, vai que agora eu te deixo partir livremente. Nada mais será do jeito que era antes. Vai que eu já não quero nem saber mais como você anda, com quem você anda, o que você faz.
Vai, que eu tô indiferente. Vai que eu tô indiferente?
A tentativa desesperada de uma faxina mental foi menos eficaz. Menos confortável, menos inteligente. É claro que não deu certo.
Sendo assim, daqui pra frente não haverá mais faxina, vou guardar devidamente as lembranças em lugares estratégicos e não fazê-las uso novamente até que eu sinta necessidade. E pretendo não mais sentir por toda a vida. Vontade de indiferença.
Então vai, vai que agora eu te deixo partir livremente. Nada mais será do jeito que era antes. Vai que eu já não quero nem saber mais como você anda, com quem você anda, o que você faz.
Vai, que eu tô indiferente. Vai que eu tô indiferente?
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Se persistirem os sintomas...
- Ai, sei lá, não sei o que está acontecendo... tô estranhamente feliz!
- Me explica isso direito.
- Ah, é um vazio. Vazio cheio de coisa embaralhada. Lotado.
- Lotado de quê?
- Não sei. É mais ou menos assim: Alguma coisa sendo empurrada de dentro pra fora do peito e desorganizadamente se manifesta em tempos aleatórios. Duração de 2 minutos e uma longa pausa. O que deve ser isso?
- Acho melhor você procurar um endócrino.
- Mais uma vez! Parece que alguma coisa se materializou no espaço entre meu estômago e minha garganta e tá querendo pular, mas nao sai. É tipo uma ardência gostosa, uma "azia boa".
- Azia BOA?!
Coloco a mão em seu peito e o coração tá tumtumtum acelerado. Endócrino? Acho que é amor.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Por enquanto
Déficit de atenção, preguiça, vontade de dormir, vontade de sumir. Tadinha dela, tudo isso ziguezagueando. Os olhos pesam e a boca cada vez mais seca, como se passasse as últimas 24 horas falando incansavelmente. Aflição.
Mas tudo passa. Peça, que tudo passa. Peça com vontade. Fotografias já não dizem mais o que ficava antes subentendido. Cartas foram perdidas e lembranças afogadas em um rio caudaloso. E ela costumava nadar nesse rio. Aonde ela está agora? Tão bela...
Pensou em ligar, mas o número ficou perdido no mesmo lugar em que provavelmente devem se encontrar as lembranças e desistiu de ouvir aquela voz. A voz que ela mais procurava, a voz que, de tanto ouvir, estava perfeitamente gravada e ela podia formar em sua cabeça todas as frases que desejasse. Esse foi seu maior erro, porque aquela sua voz dizia o que não era dito para ela. Viveu uma relação que não existia.
Então vieram lágrimas. Lágrimas e mas lágrimas. Um dia ela vai descobrir que lágrimas não servem para trazer ninguém de volta, mas sim para limpar os olhos para que eles enxerguem, de fato, a verdade.
Um dia ela vai perceber que aquelas músicas que pareciam tão íntimas não foram feitas para ela, e que ninguém neste mundo poderá entendê-la como ela mesma.
Um dia um vento forte vai abrir sua janela e um raio de sol passará por entre suas cortinas para aquele céu-inferno utópico se transformar em realidade.
Por enquanto, doces sonhos de menina.
sexta-feira, 25 de março de 2011
CORDA BAMBA
A busca pelo equibíbrio é uma das tarefas mais inquietantes na vida de um ser humano. Se você chora, é fraco, mas se você não transmite qualquer tipo de emoção, é um sem-coração. Se você enfrenta, é exagerado, mas se você vive calado, é submisso. Se você corre atrás, pode ser intransigente, mas se você espera as coisas acontecerem, não merece que elas venham até você. Nunca ninguém está satisfeito.
Acho que o maior problema ao julgar as coisas e as pessoas ao nosso redor é justamente a falta de um espelho. É fácil, mas muito fácil, apontar os erros e as atitudes que poderiam ser melhoradas nos outros, mas nunca ninguém ousaria trocar de lugar e trocar os problemas. Até porque problemas são "pessoais e intransferíveis".
"Deve-se DANÇAR CONFORME A MÚSICA". Ok, mas e se você não souber a coreografia?
"Deve-se SEMPRE OUVIR A VOZ DO CORAÇÃO". Ok, mas e se você estiver com sérios problemas de audição?
"Deve-se PENSAR ANTES DE AGIR". Ok, mas e se você realmente for surpreendido? O que você faria?
"Deve-se SEMPRE CONFIAR EM EM SI MESMO". Ok, mas e se você não tem total certeza sobre suas escolhas, que caminho deve seguir?
É preciso aceitar também o fato de NÃO SABER as respostas, os caminhos mais adequados, as palavras mais coerentes, o momento certo. Então, por favor. Vamos parar também com a mania de sempre julgar a si mesmo. Preocupe-se, mas preocupe-se menos. Cobrar de si não é errado, mas faça na medida certa, apresse-se lentamente, acalme-se... Se viver fosse realmente muito fácil não teria tanta graça. E a vida torna-se ainda mais bela quando aprendemos o quão fascinante é encontrar beleza em cima de uma corda bamba.
domingo, 20 de março de 2011
Adeus.
Você me fazia acreditar que valia a pena toda aquela disposição para estar perto e para estar sempre em contato, e me fazia feliz até mesmo quando estava longe. Um dia sem te ver era como uma eternidade. Você sabia brincar, falar sério, me escutar e me proteger. Seu jeito combinava perfeitamente com o que eu procurava em alguém.
Seu abraço me deixava em paz e, ao mesmo tempo, desprotegida. O perfume ideal, o cheiro de cabelo ideal, as implicâncias ideais, as nossas brincadeiras, nosso mundinho só nosso. Todo mundo percebia que existia um nós dois entre a gente.
Tudo em você era diferente, talvez porque você mexia comigo de uma forma como ninguém ousaria mexer. Bastou sua presença em uma festa em familia e como num passe de mágica, todos já estavam apaixonados. Até meus amigos perguntavam de você. A dose certa de clichês combinada com seus passos milimetricamente calculados e seu jeito único de levar os dias, na tranquilidade, na malandragem, na mansidão faziam com que eu me encontrasse perdida em um labirinto cujas barreiras internas só cresciam e me transformavam numa pessoa indefesa, me viciei.
Eu nunca havia escrito nada sobre você, talvez porque te achasse muito importante para ser trasnscrito, mas hoje eu vejo o quão cega a paixão me deixou. E, pra se ter idéia, ainda hoje me pergunto se realmente eu sentia aquilo tudo... Sabe, sem ressentimentos.
A sua perfeição acabou por me fazer entrar numa busca incansável pelos seus defeitos e , surpreendentemente, foram muitas descobertas. Sim. Pra cada qualidade que encontrava, havia um defeito por tras. Então, quem você era? O que você queria com todo aquele marketing pessoal? Pra cima de mim não.
Percebi também que os assuntos se desenvolviam em ciclos. Você tentava me enganar reinventando as mesmas histórias, e eu fingia que tudo aquilo era novo e supreendente, e ríamos, e falávamos o quanto éramos bons juntos, numa tentativa desesperada de se apegar a determinadas coisas para esquecer o que realmente nos preocupava. A solidão.
Não me arrependo de nada. Desde o dia que te conheci até a última palavra trocada. Até as vezes que você me dizia que sabia exatamente o que eu estava pensando, como se estivesse me estudando por todos aqueles anos e soubesse exatamente quem eu era, da cabeça aos pés. Confesso que foi pretensão demais da sua parte achar que me traduziria tão facilmente.
Parece meio atrasado escrever sobre você quase um ano depois, mas a lembrança veio como quando a água desce pela cachoeira, impactante, veloz e gelada, bem gelada. Não esperava encontrar você, muito menos hoje. Não esperava ver no seu olhar uma amargura da vida que nunca pensaria encontrar antes. Deu pra perceber que você sente saudades e que queria reviver toda aquela época com a mentalidade de hoje em dia. Seu abraço me disse. Seria interessante, mas acho que já deu. Já foi. Não sou mais a mesma pessoa e nem você é mais aquele mesmo cara, nem sei mais se seriamos amigos, se as lembranças permitiriam um despretencioso recomeço.
Terminou com um "prazer em revê-lo" sem saber ao certo se houve esse prazer, as vezes era apenas alivio, alivio para nunca mais. Dei meia volta e continuei andando,cada passo no automático me conduzindo pra direção certa bem longe de você.
quarta-feira, 9 de março de 2011
É o "Reclamation-tion"
Não existe coisa mais chata do que gente que só sabe reclamar.
Os motivos e as formas são inúmeros e diversificados quando se pretende externalizar tanta bobagem, mas ainda tem gente nesse mundo que não abre mão de uma reclamadinha casual.
O fato é que sim, se pararmos pra pensar, temos “motivo de sobra” pra reclamarmos. Violência, fome, miséria, desigualdades, descaso, falta de amor, tantas coisas... . Reclamar de uma noite mal dormida, reclamar que a casa está uma bagunça, reclamar que está sozinho, reclamar que seus amigos te esquecem, reclamar do cansaço, do chefe, dos colegas de trabalho e do calor que está fazendo ultimamente são coisas normais, se feitas com moderação. Mas as vezes, participar de uma conversa inclui ouvir tantas reclamações que me pergunto se, de tanto reclamar, essas pessoas conseguem chegar a alguma conclusão, mesmo que seja só um cansaço precedido de um SEMANCOL, e daí partem pra outra, preferindo falar do time, da novela, daquele show que estava a fim de ir, do filme que vai estrear no cinema, de forma a entrar num eixo normal de conversa... e a conversa ir fluindo. Só que existem pessoas que não chegam a esse ponto crítico e continuam incansavelmente reclamando da vida, oh minha gente! Chega ne?
Para identificar esses tipos de pessoa, segue um guia BÁSICO:
Reclamão casual: É a categoria mais fácil de ser encontrada. Consultórios médicos, bares, faculdade, casa da tia de segundo grau. É aquele tipo de pessoa que dá uma reclamadinha de vez em quando, só pra quebrar a rotina ou cortar o gelo de uma conversa. Cuidado, você pode ser um também.
Reclamão por conveniência: Esse tipo não é tão perigoso, mas tenha muito cuidado. O reclamão por conveniência é aquele tipo de pessoa que escuta e absorve o assunto, esperando sempre o momento exato, onde TODAS as pessoas do ambiente resolvem se manifestar primeiro contra alguma coisa, pra poder soltar os bichos também. É aquele que está a fim de reclamar, mas só reclama se todo mundo falar.
Reclamão destemido: Metido a sabichão, assertivo, sem papas na língua. É aquele que reclama e não está nem ai, não faz diferença alguma se o Papa ou o vocalista do Parangolé estiverem participando da conversa. Ele não dá a mínima.
Reclamão por osmose: Esse é o mais perigoso... não é confiável. Só reclama porque todo mundo está reclamando. As vezes, nem motivos pra reclamar ele possui, mas pra não ficar de fora e se sentir fora do grupo, reclama também.
Reclamão sênior: Esse indivíduo acumula a maior quantidade de anos de experiência em uma mesma conversa. Geralmente é casado com sua avó e passa o dia lendo jornais, assistindo programas antigos na televisão ou caminhando despretensiosamente pelas ruas. Sempre acompanhado de um rádio de pilha. São fofinhos, gentis e de bom coração.
Reclamão cara de pau: Pessoas bem vestidas, com emprego, casa, carro, filhos perfeitos, abusam da sorte, geralmente possuem casa de praia ou de campo, estudaram nas melhores escolas e mesmo assim arrumam problemas que não existem. (Suscetível a adaptações, nem sempre possuem filhos e casa de campo ao mesmo tempo, por exemplo.)
O fato é: nem todas essas categorias são fidedignamente encontradas por ai, estas são apenas algumas características-chave de reclamões e reclamonas de plantão.
Queridos, usem seu poder de descarga de informações em formas homeopáticas numa conversa, não seja alheio nem assertivo demais. Assim, o ambiente será mais agradável e você não sentirá necessidade de fazer um post de 582 palavras.
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